As gêmeas de outro mundo

Elas chegaram em uma nave espacial cheia de palavras. E com poucas delas já me transportaram para aquele mundo, onde tudo era possível. Tudo!
O riso e os olhares eram puros e adoráveis. Pelo ar, haviam bolas de sabão e palavras muito velozes. Palavras que eram levadas por uma linguagem rápida. Ligeiras como o bater de asas de um beija-flor. Ideias eram disparadas em velocidades altíssimas. Muitos não acompanhavam, mas também não deixavam de se encantar.
Acrobatas por natureza, a dupla apresentava uma verdadeira performance em público. Um jeito único, em uma alma duplicada. Assim, prendiam a atenção de todos. Hipnotizavam. Nunca passariam despercebidas, combinavam como corpo e alma. Eram mais sintonizadas que Bia e Branca, as brasileiras campeãs olímpicas de nado sincronizado. Mas a diferença das gêmeas que me refiro, era que essas estavam em um oceano de refrigerante, onde formavam redemoinhos, dentro da garrafa gigante.
Um gênio raro dividido em dois. Cabelos lisos enfeitados com tiaras na cabeça, uma rosa e uma azul. Amável inocência.
A menina de tiara rosa era a Gabriela, procurava ser correta e se queixava das brincadeirinhas da sua irmã. Ela era doce, fazia questão de corrigir sua companheira de berço, mas não ficava pra trás quando o assunto era brincadeira.
A de azul era a Evelyn, tinha o notável dom do teatro e não via a hora de arreliar sua irmã mais uma vez. Ela era arteira e adorava disparar palavras e mais palavras. O que mais se via eram seus dentes, que sempre apareciam em meio aos risos e gargalhadas.
Evelyn dominava como ninguém a arte do sarcasmo e a beleza da ironia, mas nunca deixava de ser espontânea.
Essa dupla me fez sentir como se estivesse num sonho, onde tudo era fantasia e piruetas!
O circo estava erguido e o palco estava armado. E a platéia? De prontidão há muito tempo, esperando a próxima cambalhota.
Falavam mais que todos, prendiam a atenção. Literalmente brilhavam em um mundo cinza!
Gabi e Evelyn eram meninas encantadoras, seres de outro planeta. E ontem, eu tive o prazer de conhecê-las.
Crianças índigo? Geração Z? Não sei… Só sei que não eram desse mundo.

Felizes sem motivo, elas faziam de tudo pra que continuassem nesse planeta lúdico, onde só existiam crianças, platéia e público. Falavam com adultos, mas tinham apenas 6 anos.

Outro planeta

Uns perdem por não dar atenção. Perdem vida. Deixam de ganhar alma, de graça, sem pagar nada.
Afinal, é brincando com as crianças que conseguimos voltar a ser crianças. Saímos um pouco desse mundo turbulento e cheio de regras. É por isso que eu digo: as crianças ensinam mais que muitos adultos, basta mergulhar no mundo delas!

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