Contemplei o que nunca vi

Depois de tanto observar,

Entre um e outro olhar,

Contemplei o que nunca vi,

Depois de tantos olhos,

Tantas cores e olhares,

Enxerguei algo a mais,

Muito além da íris,

Invisível mas real,

Além da matéria,

Intangível e essencial,

Coisa que não se guarda em frascos,

Não se calcula,

Não se apalpa,

Não se pesa,

Não se mede,

Nem se pede,

Acontece,

É,

Coisas que jamais verei,

Mas sei que posso perceber,

Compreender,

Intuição? Quem vai entender?

Dentre todas as belezas,

Descobri que as coisas mais belas,

São aquelas que não conseguimos ver.

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As gêmeas de outro mundo

Elas chegaram em uma nave espacial cheia de palavras. E com poucas delas já me transportaram para aquele mundo, onde tudo era possível. Tudo!
O riso e os olhares eram puros e adoráveis. Pelo ar, haviam bolas de sabão e palavras muito velozes. Palavras que eram levadas por uma linguagem rápida. Ligeiras como o bater de asas de um beija-flor. Ideias eram disparadas em velocidades altíssimas. Muitos não acompanhavam, mas também não deixavam de se encantar.
Acrobatas por natureza, a dupla apresentava uma verdadeira performance em público. Um jeito único, em uma alma duplicada. Assim, prendiam a atenção de todos. Hipnotizavam. Nunca passariam despercebidas, combinavam como corpo e alma. Eram mais sintonizadas que Bia e Branca, as brasileiras campeãs olímpicas de nado sincronizado. Mas a diferença das gêmeas que me refiro, era que essas estavam em um oceano de refrigerante, onde formavam redemoinhos, dentro da garrafa gigante.
Um gênio raro dividido em dois. Cabelos lisos enfeitados com tiaras na cabeça, uma rosa e uma azul. Amável inocência.
A menina de tiara rosa era a Gabriela, procurava ser correta e se queixava das brincadeirinhas da sua irmã. Ela era doce, fazia questão de corrigir sua companheira de berço, mas não ficava pra trás quando o assunto era brincadeira.
A de azul era a Evelyn, tinha o notável dom do teatro e não via a hora de arreliar sua irmã mais uma vez. Ela era arteira e adorava disparar palavras e mais palavras. O que mais se via eram seus dentes, que sempre apareciam em meio aos risos e gargalhadas.
Evelyn dominava como ninguém a arte do sarcasmo e a beleza da ironia, mas nunca deixava de ser espontânea.
Essa dupla me fez sentir como se estivesse num sonho, onde tudo era fantasia e piruetas!
O circo estava erguido e o palco estava armado. E a platéia? De prontidão há muito tempo, esperando a próxima cambalhota.
Falavam mais que todos, prendiam a atenção. Literalmente brilhavam em um mundo cinza!
Gabi e Evelyn eram meninas encantadoras, seres de outro planeta. E ontem, eu tive o prazer de conhecê-las.
Crianças índigo? Geração Z? Não sei… Só sei que não eram desse mundo.

Felizes sem motivo, elas faziam de tudo pra que continuassem nesse planeta lúdico, onde só existiam crianças, platéia e público. Falavam com adultos, mas tinham apenas 6 anos.

Outro planeta

Uns perdem por não dar atenção. Perdem vida. Deixam de ganhar alma, de graça, sem pagar nada.
Afinal, é brincando com as crianças que conseguimos voltar a ser crianças. Saímos um pouco desse mundo turbulento e cheio de regras. É por isso que eu digo: as crianças ensinam mais que muitos adultos, basta mergulhar no mundo delas!

Sobre a luneta

Olho pra luneta,

do alto do Universo,

Noite ou dia,

Sinergia, verso,

Olho pra luneta com olhar inverso,

Pureza e cria,

Outro dia  imerso,

Olho pra luneta pra ver a Lua,

E descobrir a verdade,

Sobre toda criatura,

Olho pra luneta de perto,

Pra enxergar,

As outras partes do Universo,

Olho pra luneta,

Em busca de um conselho,

Mas na verdade é dessa altura,

Que eu me olho no espelho.

Child of the Universe

Andei

Pelo mar andei,

Entre ondas leves,

Suaves brisas,

E a paz que encontrei,

Tomei coragem,

Mergulhei,

Banho de água azul,

Praia de ninguém,

Cada encosta uma viagem,

Conchas cantavam,

Pássaros dançavam,

De passagem,

Peixes pulando de emoção,

Onde tudo é paisagem,

Imagem e ação.

O reino dos poetas

Que sejam libertas,

Todas as forças da imaginação,

E os sonhos nos transportem,

Ao reino dos poetas,

Onde os pássaros são fadas,

Os peixes tem asas,

E as árvores são casas,

Belo povo élfico,

Flutuam em nuvens de algodão doce,

Novo conto épico,

Onde os cheiros dançam em sincronia,

Policromia,

Rosas cantam com alegria.

Príncipes,

Que aplaudam essa festa calorosa,

E reis,

Que contemplem essa cena primorosa.

      Inspirado em Willian Shakespeare

                            

Odisséia

Fui pra uma Odisséia,

Embora,

Eu só estivesse na Juréia,

Tantos foram os passos,

Simples e sem sapatos,

Passando pelo pássaro,

Percebendo as mudanças do tempo,

Da tábua das marés,

Às encostas do Una,

Espinhos e espadas,

Restos e cascos de tartaruga,

Gaivotas voam caladas,

É a fuga das garças,

E os urubus passeiam,

Na caça,

 Procurando a próxima carcaça,

Por mais uma hora e por mais outro dia.

Pra onde se foi a vida?

Doce Água

Sereia da tranquilidade,

Ela,

Que vem das águas doces,

Mergulha,

Em oceanos de alegria,

Lagos de amor e riachos de paz,

Canta e dança,

Nas profundezas da alma,

Nas águas mais raras,

E encontra,

Os verdadeiros mares da calma.


Naturalmente espontânea, a beleza mais sublime.

A Lua e o Devir

E a Lua voltou a sorrir com graça.

Diante de uma bela noite de verão, a Lua voltou a sorrir. Mostrando uma nova face, um novo mistério. Fase que anuncia a chegada do devir. O devir é a eterna mudança do ontem, a sublime inconstância do hoje e a certeza de que no amanhã, tudo pode mudar.

Devir é a transformação. A percepção transitória, o constante aprender.
É quando você escreve as mais belas palavras na areia e as ondas apagam. Não pra te fazer esquecer, mas pra nascer uma nova praia.
É quando o vento leva o perfume mais gostoso. E em troca, traz fragrâncias das flores mais raras.
O devir é quando o Sol nasce. Não pra acabar com uma noite agradável, mas preceder a próxima noite, carregada de surpresas, belezas imprevisíveis.

É quando vem a tempestade pra lavar a alma e regar a semente.

Em cada esquina uma nova rua, cada fase uma nova Lua. Caminhos cruzados em constante aprender.

E que saber? O homem nasceu pra aprender, se não, não seria criança um dia.

Então deixe o vento bater, as águas lavarem e o Sol nascer, em você. Só assim, descobrirá um caminho encoberto de verdade, verá outro você por toda parte. Viverá de vontade, sede e fome de Ser!

Descobrir o Ser é uma busca diária, encontrar-se é a grande recompensa. É se enxergar em algo que te dá prazer. Vislumbrar o que for, intenso mergulho pro fundo. Do iceberg interior, a caminho do Ser. Ser o que se é. Ser essência, transcendência. Chegar ao profundo de si.

A descoberta do devir

Se não sabe quem você é, continue a buscar. Alguma arte vai passar pelo seu caminho e te surpreender. O encanto chegará à sua porta e abrirá a sua mente. Seus dias serão mais prazerosos e cheios de sabor!

Essa é a arte de saborear a vida. Qual é o seu tempero?

Pratique o devir. Você não imagina o que está por vir.

Será outro a cada dia, nascerá para uma nova aventura, a cada fase, a cada manhã.

Tudo pode Ser

Afinal, a Lua de hoje ainda é a Lua. Mas não é a mesma Lua de ontem.